Na sexta-feira, 2 de outubro, Dua Lipa esteve no Porto e visitou a biblioteca de livros proibidos e censurados que o seu clube de leitura, o Service95, abriu em junho na Livraria Lello. É o pretexto ideal para recuar até 13 de janeiro de 1906, dia em que foi inaugurado o edifício da Rua das Carmelitas, que desde fevereiro é Monumento Nacional.
A história da Livraria Lello
Da Chardron à Lello
Antes de ser Lello, a livraria tinha outro dono e outro nome. Quem a criou, em 1869, foi um francês, Ernesto Chardron. Em 1894, o negócio passou para José Pinto de Sousa Lello, que trabalhava com um irmão como sócio. A casa acabaria por ficar conhecida como Lello & Irmão.
O edifício de 1906

Para a nova morada, no n.º 144 da Rua das Carmelitas, os irmãos escolheram um projeto do engenheiro Francisco Xavier Esteves. Por fora, a fachada é neogótica. Lá dentro, Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco estão entre os escritores retratados nos bustos dos pilares. Há ainda a famosa escadaria e, no teto, um vitral com o lema latino Decus in Labore.
O mito de Harry Potter
Durante anos, contou-se que a escadaria da Lello tinha inspirado Hogwarts, já que J.K. Rowling viveu no Porto no início dos anos 90. A autora desmentiu-o no Twitter a 21 de maio de 2020: nunca tinha entrado na livraria e nem sabia que ela existia.
Monumento Nacional desde 2026
A Lello já era Monumento de Interesse Público desde 2013 e, este ano, subiu de categoria. O primeiro-ministro anunciou a reclassificação no dia em que a livraria fez 120 anos, e o Decreto n.º 11/2026, de 27 de fevereiro, tornou-a oficialmente Monumento Nacional.
A biblioteca de Dua Lipa
A Manifesto Library abriu a 27 de junho no novo auditório da livraria, projetado por Álvaro Siza Vieira. Junta 100 livros proibidos, censurados ou contestados em vários países, arrumados em quatro temas: poder, controlo, voz e memória. É a primeira vez que o clube de leitura da cantora tem uma casa física e permanente e, segundo o SOL, o espaço passa a fazer parte da visita à livraria.
Na passagem pelo Porto, a cantora entrevistou ali o artista chinês Ai Weiwei, que vive no Alentejo, sobre o seu livro On Censorship. Nas redes sociais, Dua Lipa escreveu que foi uma honra tornar-se parte da história daquela biblioteca.
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