Esquece a confusão da Baixa, as longas filas de espera da Livraria Lello e a ‘avalanche’ de turistas na Ribeira. Se procuras respirar ar puro e abrandar o ritmo citadino, o ‘oásis’ verde na Rua do Campo Alegre está à tua espera. Entre camélias centenárias e catos gigantes, o Jardim Botânico do Porto é um dos melhores espaços para dar as boas-vindas à primavera e não precisas de gastar nem um cêntimo, visto que a entrada é gratuita.
Com uma área de quatro hectares, o Jardim Botânico do Porto não é nenhuma surpresa para os portuenses, mas certamente ainda passará despercebido a alguns visitantes. Afinal, por trás daqueles muros altos, esconde-se um dos maiores tesouros românticos e literários da cidade Invicta. Mas, mais do que um simples espaço verde, este é um portal para o universo da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen.
Perfeito para o fim de semana

Ao contrário do Jardim Botânico de Coimbra ou de Lisboa (que são Monumentos Nacionais), o do Porto está classificado como Imóvel de Interesse Patrimonial na Câmara Municipal local. Mesmo assim, é inquestionável a relevância e diversidade de espécies que se podem encontrar neste bonito espaço verde.
Atualmente, gerido pela Universidade do Porto como parte do Museu de História Natural e da Ciência, o jardim é frequentemente mencionado nos Green Flag Awards, uma espécie de ‘estrela Michelin’ para a gestão de parques e espaços verdes de todo o mundo. Por tudo isto e muito mais, não faltam motivos para descobrir as suas muitas espécies raras e exóticas.
A não perder no Jardim Botânico do Porto

Para uma visita ao Jardim Botânico do Porto, há alguns lugares que não podes mesmo perder. Por exemplo, o Jardim dos Catos transporta-te diretamente para o clima cálido do México. Entre suculentas e catos de grande porte, prepara-te para tirar fotografias muito instagramáveis.
Projetados pelo arquiteto paisagista Franz Koepp, o Jardim do Xisto e o Jardim do Peixe convidam a uma visita em passo lento, destacando-se como lugares perfeitos para ler um bom livro, ou simplesmente fechar os olhos e ouvir a água a correr nos pequenos lagos.
O esqueleto de uma baleia
Se as plantas exóticas e raras são a maior atração do Jardim Botânico do Porto, a verdade é que há outro lugar (muito) especial a merecer a tua atenção — a Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva. Instalado na emblemática Casa Andresen, que em tempos pertenceu à família da famosa escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, este foi o primeiro Centro Ciência Viva dedicado à biodiversidade em Portugal.
Ao contrário do jardim que é de acesso livre, para entrar aqui é preciso pagar. Mesmo assim, vale a pena, em particular, para contemplar, logo à entrada, o seu instagramável esqueleto-real de baleia-comum. Mas a magia do conhecimento estende-se a cada sala da Galeria da Biodiversidade, sendo mesmo um dos nossos museus favoritos na cidade do Porto e que recomendamos visitar pelo menos uma vez na vida.
Onde a literatura ganha vida

A Quinta do Campo Alegre, onde atualmente emerge o Jardim Botânico do Porto, pertenceu à família Andresen até 1949. Depois disso, a propriedade foi vendida ao Estado de Portugal que, em 1951, a converteu no Jardim Botânico do Porto, sob a gestão da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Com esta ligação umbilical à família Andresen, não é de surpreender que este espaço magnífico tenha inspirado várias histórias infantis de Sophia de Mello Breyner. De facto, percorrer estes jardins é sinónimo de folhear as páginas de “O Rapaz de Bronze”.
Para perceber esta ligação, basta ler o trecho do livro “O Rapaz do Bronze”, que está numa placa no local:
Num lugar sombrio, solitário e verde, havia um pequeno jardim rodeado de árvores altíssimas. No meio desse jardim havia um lago redondo sempre cheio de folhas. No centro do lago havia uma ilha muito pequena onde cresciam fetos e no centro estava uma estátua que era um rapaz de bronze.”
Informações úteis
📍 Onde: Rua do Campo Alegre, 1191
📅 Horário: Todos os dias, das 09h00 às 18h00 (inverno) ou até às 20h00 (verão).
🎫 Entrada: Jardim Botânico do Porto (grátis); Galeria da Biodiversidade (paga).
🚌 Como chegar: Autocarros STCP (200, 204, 207, 504) param mesmo à porta.
E tu, ficaste ainda com mais vontade de aproveitar o melhor da primavera neste lugar mágico?
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