Hoje, quem chega de comboio à Estação de São Bento é recebido por mais de 20 mil azulejos de Jorge Colaço. Mas, durante quase quatro séculos, o terreno no centro do Porto pertenceu a um mosteiro de freiras beneditinas. O convento só fechou em 1892, com a morte da última religiosa, e foi deitado abaixo nesse mesmo ano. A estação que nasceu no lugar dele fez 110 anos a 5 de outubro, e é daqui que partem comboios da Linha do Douro, uma viagem que muitos consideram das mais bontias da Europa.
Da estação provisória à inauguração de 1916
Os comboios chegaram ao centro da cidade antes do edifício. Em 1896, a Linha Urbana passou a ligar Campanhã a uma estação provisória em São Bento, de acordo com a Infraestruturas de Portugal. A primeira pedra da estação definitiva foi lançada em 1900 pelo rei D. Carlos I, segundo o Visit Portugal, e o projeto ficou a cargo do arquiteto portuense José Marques da Silva.

Para o átrio, o pintor Jorge Colaço criou entre 1905 e 1908 os painéis de azulejo que hoje são a imagem da estação. Foram produzidos na Real Fábrica de Louça de Sacavém e somam mais de 20 mil azulejos. Um friso à volta do átrio conta a evolução dos transportes até à chegada do comboio, e os grandes painéis mostram episódios da história de Portugal, como a entrada de D. João I no Porto, ao lado de cenas do trabalho no campo.
Antes dos comboios: o mosteiro de São Bento da Avé-Maria
A construção do Mosteiro de São Bento da Avé-Maria começou em 1518, por ordem de D. Manuel I, e as freiras mudaram-se para lá em 1536. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, os conventos femininos puderam manter-se abertos até à morte da última religiosa, o que aqui só aconteceu em 1892.
Do mosteiro restam poucas peças. O museu guarda um dos seis capitéis que sobreviveram do claustro, uma base de coluna, uma Cruz de Cristo e uma esfera armilar.
São Bento hoje

Desde 1997 que o conjunto está classificado como Imóvel de Interesse Público, uma proteção que vai além do edifício e inclui os painéis de azulejo, a gare metálica e a boca do túnel. E continua a funcionar como estação: daqui partem comboios urbanos e regionais para destinos como Braga, Guimarães, Aveiro e a Linha do Douro, segundo a CP. O edifício acolhe ainda lojas, um hotel e restaurantes.
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