A cerca de 60 km do Porto, há uma faixa de areia e pinhal espremida entre o oceano Atlântico e a Ria de Aveiro que poucos conhecem tão bem quanto merecia. Chama-se Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, tem quase 50 anos de história e acaba de ser distinguida como um dos ícones naturais de Portugal.
Uma reserva escondida entre o mar e a ria

Ocupa a ponta de uma península estreita que se estende entre Ovar e a povoação de São Jacinto, no concelho de Aveiro. De um lado, o oceano Atlântico, do outro, um dos braços da Ria de Aveiro. Esta posição rara que está encaixada entre duas paisagens tão diferentes faz da reserva um dos cantos mais singulares do litoral português.
Quase 50 anos a proteger as dunas
A Reserva Natural das Dunas de São Jacinto foi estabelecida a 6 de março de 1979. Um dos motivos que levaram à sua classificação como reserva natural estava a necessidade de proteger a colónia de garças mais setentrional do país, que tinha encontrado refúgio neste local. Hoje, a área protegida ocupa cerca de 960 hectares, sendo que cerca de 200 correspondem a espaço marítimo.
Um ícone Cinco Estrelas em 2026
Este ano, a reserva também esteve em destaque. Foi distinguida como ícone regional na categoria “Reservas, Paisagens e Barragens” da edição de 2026 do Prémio Cinco Estrelas Regiões. Este galardão é atribuído com base na avaliação de milhares de consumidores portugueses que identificam o melhor que cada região do país tem para oferecer.
Trilhos de madeira e uma natureza rara

A Reserva Natural das Dunas de São Jacinto é atravessada pelo Trilho de Descoberta da Natureza (um trilho pedestre), com duas variantes possíveis: uma mais curta, de cerca de 3,3 km, e outra mais longa, de cerca de 7 km. Estas variantes incluem uma passagem pelos passadiços de madeira construídos para proteger o cordão dunar. O pinheiro-manso e a sabina-da-praia predominam o caminho, mas há também um arbusto raro, a camarinha, que só cresce na costa atlântica da Península Ibérica. Para além da flora, quem gosta de observação de aves, os invernos são a melhor altura para avistar aves aquáticas junto aos charcos do local.
Como visitar
O acesso é feito a partir do Centro Interpretativo, onde os visitantes se registam antes de seguir o trilho. Percorrer o percurso por conta própria é gratuito, mas quem preferir uma visita guiada pode reservá-la mediante pagamento de uma taxa horária por grupo. Ao dia de hoje, o ICNF e o Município de Aveiro partilham a gestão da reserva, com uma equipa de vigilantes da natureza dedicada à sua conservação.
Como chegar a partir do Porto
Com partida no Porto, o caminho mais direto é pela A29, com saída em Ovar Norte, seguindo depois pela marginal até à Torreira e continuando pela N327 até São Jacinto. É uma viagem com uma distância ideal de 60 km, pois é longe o suficiente para fugir às multidões, mas é perto o suficiente para caber numa manhã ou numa tarde.
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