A Ponte Luís I faz 140 anos a 31 de outubro, o dia de Halloween. Inaugurada em 1886, a ligação entre o Porto e Gaia tinha então um arco metálico de 172 metros, o maior do mundo do seu género, e quem a cruzava a pé pagava 5 réis. Hoje, o tabuleiro de cima é do metro e dos peões, e a ponte faz parte do conjunto classificado como Património Mundial da UNESCO desde 1996. Estas são as histórias que poucos conhecem.
Cinco curiosidades da Ponte Luís I
1. O arco de 172 metros era o maior do mundo do seu tipo
Quando foi construído, o arco metálico da Ponte Luís I, com 172 metros de vão, não tinha rival no mundo entre as pontes do seu género. Toda a estrutura original pesava 3.045 toneladas, e o arco atravessa o Douro de uma margem à outra sem qualquer pilar no meio do rio.

2. Não é obra de Eiffel, mas de um antigo sócio dele
A semelhança com a Ponte Maria Pia leva muitos a atribuí-la a Gustave Eiffel, mas o projeto é de Théophile Seyrig, que tinha sido sócio de Eiffel e trabalhado com ele na Maria Pia. Quando ganhou o concurso para a nova ponte, Seyrig já tinha saído da empresa do engenheiro francês e representava a belga Société de Willebroek.
3. Atravessá-la a pé custava 5 réis
A partir de 1 de novembro de 1886, quem ia a pé pagava 5 réis de portagem para passar de uma margem à outra. O sistema de portagens só foi extinto anos mais tarde.
4. O rei faltou à inauguração — e houve um susto
A data não foi escolhida ao acaso: a 31 de outubro de 1886, D. Luís I fazia 48 anos. Ainda assim, o rei não esteve na cerimónia. Quando a ponte abriu ao público, a multidão correu para o tabuleiro e encheu-o por completo.
De acordo com o relato do jornal O Comércio do Porto do dia seguinte, citado pelo historiador Manuel de Sousa, autor do projeto Porto d’Honra, o tabuleiro oscilou ligeiramente, alguém gritou que a ponte estava a ceder e as pessoas começaram a fugir.

5. O «Dom» não faz parte do nome oficial
O nome oficial é Ponte Luiz I, na grafia da época, e é isso que dizem as placas sobre as entradas do tabuleiro inferior. Corre a lenda de que o Porto tirou o “Dom” para castigar a ausência do rei, mas o título nunca fez parte do nome oficial. Na prática, aconteceu o oposto: são os portuenses que, até hoje, lhe acrescentam o “Dom”.
A ponte, hoje
O tabuleiro de cima fechou aos carros em 2003 e, desde setembro de 2005, é por lá que passa a Linha D (amarela) do metro, além dos peões. Em baixo, continuam a circular carros e quem anda a pé. A ponte integra o conjunto classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 1996, juntamente com o Centro Histórico do Porto e o Mosteiro da Serra do Pilar.
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