Em junho de 1860, Ana Plácido foi presa, acusada de adultério: era casada, e não com Camilo Castelo Branco. A 1 de outubro, o escritor, então com 35 anos, entregou-se às autoridades e foi parar à Cadeia da Relação, no Porto. Ela ficou no pavilhão das mulheres; ele, num piso reservado aos presos com mais posses. Só em outubro de 1861 os dois foram julgados e absolvidos, recorda a Universidade do Porto.
Foi entre aquelas paredes que Camilo escreveu «Amor de Perdição», e em apenas 15 dias. O romance, considerado a sua obra-prima, tem raízes num drama da família do autor. A experiência da prisão daria ainda outro livro, «Memórias do Cárcere», onde contou o que viu e ouviu aos outros presos.
Da cela de Camilo ao Centro Português de Fotografia
Enquanto os presos sem dinheiro ficavam nas enxovias, escuras e cheias de gente, Camilo teve direito a um dos «quartos da Malta», no andar de cima. As condições do edifício eram tais que o rei D. Pedro V, depois de o visitar, terá dito que a cadeia precisava de ser «completamente arrasada». Não foi: a Cadeia da Relação, erguida nos últimos anos do século XVIII, continuou a receber presos até 1974. Por lá passou também o célebre salteador Zé do Telhado.
Hoje, o edifício, classificado como monumento nacional, é a casa do Centro Português de Fotografia, criado em 1997. Além das exposições, a visita permite conhecer a cela onde Camilo esteve preso e espreitar a cidade lá de cima, segundo o site oficial. E a morada não podia ser mais certa: Largo Amor de Perdição.
Um filme para ver antes ou depois da visita
A história de Camilo e Ana Plácido na prisão chegou às salas de cinema a 22 de outubro. «Memórias do Cárcere», de Sérgio Graciano, com Albano Jerónimo e Maria João Bastos nos papéis principais, estreou em mais de 30 salas, noticiou o Jornal Económico, com a Lusa.
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