Há mais de três décadas que as portas do Palácio de São João Novo, em Miragaia, estão fechadas. Agora, o edifício está um passo mais perto de voltar à vida. A Câmara do Porto, através da GO Porto, abriu o concurso para o projeto de reabilitação, com um preço base de 940 mil euros e 420 dias para o desenhar, anunciou a empresa municipal. O palácio vai ser o núcleo central do Museu do Porto.
O que vai nascer no palácio
O futuro museu terá uma exposição de longa duração que conte a história do Porto, a sua cultura e a sua identidade, a par de salas para mostras temporárias e serviços educativos. Haverá ainda um centro de documentação, com uma biblioteca aberta ao público, e um auditório.
O antigo lagar do palácio vai ser preservado numa sala própria, a Sala Memória, que também presta homenagem a Fernando Lanhas, arquiteto portuense e um dos pioneiros da pintura abstrata em Portugal. Lá fora, há jardins e socalcos para recuperar, e até a Muralha Fernandina, que passa nas traseiras, vai entrar no percurso da visita.
As obras ainda vão demorar. Em 2024, a autarquia estimava que todo o processo levasse cerca de sete anos e decidiu instalar, entretanto, o núcleo central do museu num piso do edifício da Alfândega, noticiou o Jornal Económico, com a Lusa.
Quase 300 anos de história
O palácio foi mandado construir em 1727 por Pedro Costa Lima, um fidalgo da Casa Real que administrava os estaleiros da Ribeira. A fachada barroca levou muitos a apontar Nicolau Nasoni como autor, mas hoje está confirmado que o desenho é do mestre António Pereira, segundo o Património Cultural.
Ao longo dos séculos, ali viveram famílias importantes do Porto. Durante o Cerco do Porto, o edifício serviu de hospital militar ao exército liberal e, mais tarde, recebeu a Tipografia Comercial Portuense. Em 1945, tornou-se a casa do Museu de Etnografia e História, que o Património Cultural coloca entre os mais ricos do país.
Em 1984, um incêndio deixou marcas que só pioraram o estado do edifício e, em 1992, o museu acabou por fechar. Desde dezembro de 2023, o palácio, classificado como Imóvel de Interesse Público, é gerido pela Câmara do Porto, ao abrigo de um acordo de 50 anos com o Estado.
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