Na Praça do Infante D. Henrique, a poucos passos do Palácio da Bolsa, há um edifício de ferro e vidro do século XIX. É o Mercado Ferreira Borges, um dos exemplos mais importantes da arquitetura do ferro no Porto, segundo a Associação de Turismo do Porto. Foi pensado para vender frescos, mas a história acabou por levá-lo para outro lado: hoje, é lá que funciona o Hard Club.
Um mercado à procura de uma função
A ideia surgiu em 1882: dar ao Porto um mercado novo no lugar do da Ribeira, que estava em mau estado. O concurso público abriu em 1885 e foi ganho pela Companhia Aliança, conhecida como Fundição de Massarelos, que fez todos os elementos de ferro. O projeto é do arquiteto João Carlos Machado, e a obra ficou concluída a 17 de maio de 1888, de acordo com o inventário do património arquitetónico (SIPA).

Só que, depois de pronto, pouco foi usado para vender. Em 1900, já se discutia que destino lhe dar, e em 1904 chegou a ser proposto que recebesse um museu municipal ou um museu colonial. Nenhuma das ideias foi para a frente.
No século XX, acabou por ter outra vida: segundo a placa informativa do mercado, entre 1939 e o final dos anos 70, funcionou como mercado abastecedor de fruta. Depois disso, passou a receber atividades culturais e, em 1983, foi restaurado pela mesma empresa que o tinha construído, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Pouco antes, em 1982, tinha sido classificado como Imóvel de Interesse Público.
Colunas que também escoam a chuva
O edifício está pousado sobre uma base de granito que acompanha a inclinação do terreno, e a fachada principal tem uma escadaria dupla. Lá dentro, há três naves, com a do meio mais estreita, e uma cobertura envidraçada. As colunas que seguram o telhado têm capitéis coríntios e algumas guardam um segredo: é por dentro delas que desce a água da chuva.
Do mercado de fruta ao Hard Club

O Hard Club nasceu em 1997, na marginal de Vila Nova de Gaia, onde funcionou durante nove anos, até fechar no final de 2006. Em 2008, ganhou o concurso da Câmara do Porto para ocupar o Mercado Ferreira Borges, e o projeto de reconversão venceu o Prémio Nacional de Indústrias Criativas.
As portas abriram em setembro de 2010. Por fora, o edifício ficou igual. Por dentro, ganhou duas salas com isolamento acústico: segundo o Hard Club, a maior leva 850 pessoas em pé e a mais pequena 350. Há ainda um restaurante no piso de cima, inspirado nas cervejarias do Porto, e um piso de entrada com acesso livre e um palco acústico.
Se fores à zona, aproveita para conhecer também o vizinho Palácio da Bolsa.
Não fiques a ver navios! Segue-nos no Facebook, no Instagram e agora também no WhatsApp!