No dia 12 de agosto de 2026, Portugal vai ser palco do primeiro eclipse solar total em território nacional desde 1912. No Porto, o fenómeno vai ser visível como um eclipse parcial muito profundo, com cerca de 98% do disco solar coberto pela Lua, ao final da tarde. O próximo eclipse total visível em Portugal só está previsto para 2144.
O que é, afinal, um eclipse solar total?
Um eclipse solar acontece quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra, projetando a sua sombra sobre a superfície terrestre e bloqueando a luz solar numa determinada região. Quando este alinhamento é perfeito e a Lua cobre completamente o disco do Sol acontece um eclipse total. Neste caso, e apenas nesse caso, é possível observar a olho nu fenómenos como o “Anel de Diamante”, as “Pérolas de Baily” e a coroa solar, a atmosfera exterior do Sol, normalmente invisível.
Bragança, a poucas horas do Porto, vai ver o dia transformar-se em noite

Em Portugal, a totalidade só vai ocorrer numa faixa muito estreita do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, mais precisamente ao longo da estrada N308, entre as aldeias de Rio de Onor e Guadramil. Vai durar apenas cerca de 25 a 26 segundos.
A distância entre o Porto e Bragança ronda os 210 km, uma viagem de carro de cerca de 2h15 a 2h30, perto o suficiente para uma escapadinha de um dia a partir da Invicta. Vale a pena ter em conta que o acesso à zona exata de observação da totalidade é restrito e controlado pela Ciência Viva, com inscrição prévia obrigatória através do Programa Nacional do Eclipse 2026.
O que vai ser possível ver no Porto
Segundo cálculos do astrónomo Rui Jorge Agostinho, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, citado pela agência Lusa, o Porto vai ver um obscurecimento de cerca de 98,2%, uma das percentagens mais altas do país fora da zona de totalidade, seguido por Lisboa (94,5%) e Faro (92,7%).
O eclipse deverá seguir, aproximadamente, esta janela horária: início por volta das 18h30–18h40, máximo por volta das 19h30–19h40 e fim por volta das 20h20–20h30, coincidindo com o final da tarde e com o Sol já muito baixo no horizonte. Mesmo sem chegar à totalidade, a diminuição da luminosidade no Porto deverá ser bem percetível, podendo mesmo provocar uma descida temporária da temperatura.
Como observar em segurança

Nunca se deve olhar diretamente para o Sol, mesmo durante um eclipse profundo nem a olho nu, nem com óculos de sol comuns, nem através de binóculos ou telescópios sem filtro solar adequado. É indispensável usar óculos de eclipse certificados com a norma ISO 12312-2. A Direção-Geral da Saúde e a NASA reforçam este cuidado, mesmo quando mais de 90% do disco solar está coberto.
Onde conseguir óculos e que atividades há no Porto
A marca ZEISS, em parceria com a rede Club da Visão (mais de 600 óticas no país), vai distribuir óculos de eclipse gratuitos, mediante inscrição prévia e enquanto durar o stock. No Porto, o Planetário do Porto – Centro Ciência Viva tem estado a preparar-se para o acontecimento, com sessões dedicadas à observação e exploração do fenómeno. Assim, o planetário integra ainda a rede de instituições, junto com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e a Sociedade Portuguesa de Astronomia que vai acompanhar a observação da totalidade em Bragança.
A lista completa de atividades por distrito, incluindo o Porto, pode ser consultada no site oficial eclipse2026.pt, que também tem uma ferramenta para verificar a percentagem exata e os horários do eclipse por concelho.
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