Há lugares mágicos perto do Porto, como ‘ilhas secretas’ e parques de diversões. Mas também há outros que parecem saídos de um livro de Stephen King, com todos os ingredientes assustadores necessários para inspirar a criação de uma série ou filme de terror, como o Sanatório de Valongo — oficialmente conhecido como Sanatório de Mont’alto.
Localizado a menos de 20 quilómetros do Porto, na freguesia de São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar, este edifício abandonado e em ruínas é bastante conhecido entre os fãs de urbex (exploração urbana). Envolvido pela beleza da serra em redor, este local está repleto de relatos do ‘paranormal’ e de um passado doloroso.
Uma fortaleza na serra

No início do século XX, a tuberculose era uma das doenças com maior taxa de mortalidade na Europa. Na altura, a solução médica passava por construir infraestruturas isoladas em sítios específicos e remotos, situados em altitude, onde os doentes pudessem respirar ‘ar puro’ e recuperar longe da confusão citadina. De Norte a Sul de Portugal, a construção de sanatórios tornou-se uma espécie de tendência.
O Sanatório de Valongo nasceu exatamente desse propósito. A sua construção iniciou-se nos anos 30. No entanto, a obra arrastou-se no tempo e só ficou concluída na década de 50. O resultado refletiu-se num edifício colossal de cinco andares e um recuado, que incluía escola, lavandaria, igreja com acesso interior direto, capela e um reservatório de água próprio. Fechou as portas oficialmente em 1975, operando por menos de duas décadas.
De hospital a ‘Meca’ do abandono

Hoje, o que resta do edifício está completamente degradado e quase ‘engolido’ pela floresta. Desde o seu encerramento nos anos 70, não lhe foi dada qualquer outra utilidade, acabando por ser votado ao esquecimento e abandono. O espaço fechou portas por um motivo muito simples: a medicina evoluiu e os novos tratamentos para a tuberculose tornaram o modelo dos sanatórios obsoleto.
O que aconteceu a seguir foi o resultado inevitável do passar do tempo, incluindo atos de vandalismo, janelas partidas, graffitis por toda a parte e uma aura misteriosa obscura, que contrasta com o verde da serra. Conta-se que ainda hoje se ouvem passos, ruídos e vozes dos doentes que pereceram no Sanatório de Valongo, onde, não obstante as caraterísticas imponentes do edifício, as condições chegaram a ser bastante precárias.
O número de utentes terá ultrapassado em larga medida a lotação disponível, sendo que se acredita que doentes e médicos viveram momentos muito complicados. Os relatos de fantasmas podem ser um mero mito popular, mas, seja como for, o edifício carrega um peso inegável capaz de provocar arrepios com a chegada do entardecer.
O verde e a vista infinita

Atualmente, o Sanatório de Valongo continua a ser procurado por turistas, aventureiros e fotógrafos. Os mais corajosos entram no edifício e sobem a sua longa escadaria até alcançar um terraço com uma vista panorâmica de cortar a respiração sobre a montanha, que se estende sem interrupções até ao mar.
Mas cuidado: lembra-te que este é um edifício em elevado estado de degradação, com buracos e detritos, pelo que se decidires ir visitá-lo a tua segurança não está garantida. Mesmo com roupa e calçado adequados, é preciso bastante cautela em qualquer eventual ‘missão de exploração’.
De facto, para evitar riscos desnecessários podes apreciar o edifício de fora e, em vez de mergulhar no seu interior, seguir viagem para explorar os encantos da serra!
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