Até há menos de 20 anos, Mafómedes, frequentemente considerada a “aldeia mais remota do distrito do Porto”, viveu de ‘costas voltadas’ para o resto do município de Baião. Situada a cerca de 80 km do centro da cidade Invicta, segundo um artigo do “Jornal de Notícias”, a estrada de alcatrão só chegou a estas paragens em 2008, uma década depois da promessa feita pelo antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 1998.
Encaixada entre duas encostas íngremes da Serra do Marão, a pequena aldeia de Mafómedes pertence à União das Freguesias de Teixeira e Teixeiró e fica junto à fronteira com o município de Peso da Régua. Chegar lá ainda exige paciência: os últimos quilómetros serpenteiam montanha acima, mas a vista que se abre à chegada compensa cada curva.
Um refúgio com um rio de águas límpidas e trilhos

“Cerca de 18 habitantes” — foi assim que Ricardo Rocha, dono da tasca local, resumiu a população de Mafómedes ao guia “Boa Cama Boa Mesa”, do Expresso, numa reportagem publicada em setembro de 2025.
É pouca gente para um lugar que, todos os verões, recebe muito mais visitantes do que residentes, atraídos pelo rio Teixeira, um pequeno curso de água que nasce na própria Serra do Marão e desagua no Douro pela margem direita — conhecido pelas suas águas límpidas. Ali perto foi criada uma zona balnear com piscina natural, onde não faltam mesas para piquenique e um espaço para grelhar.
Mas a natureza não convida apenas a mergulhos. Para quem gosta de caminhar, há um percurso de 18 km batizado “Serra do Marão: Mafómedes – Fraga da Ermida – Senhora da Serra”, um trilho circular que liga a aldeia a alguns dos pontos mais interessantes da montanha: o miradouro da Fraga da Ermida e as antigas Minas do Teixo — onde se extraiu estanho sobretudo entre 1940 e 1968.
A romaria mais alta de Portugal

No ponto mais alto da montanha, a 1.416 metros de altitude, encontra-se a Ermida da Senhora da Serra, também conhecida como Capela de Nossa Senhora do Marão. É essa altitude que justifica o epíteto da festa que ali se realiza todos os anos, no segundo domingo de julho: a caminhada arranca à meia-noite em Gestaçô, atravessa a Teixeira e Mafómedes e chega ao cume ao amanhecer, quando peregrinos e visitantes de vários concelhos vizinhos assistem ao nascer do sol sobre o Douro e Trás-os-Montes, naquela que é conhecida como a romaria mais alta do país.
Para resistir a jornadas tão longas pela serra, faz todo o sentido a fama de um doce típico da região que vale a pena experimentar: o doce, ou biscoito, da Teixeira. É pequeno, retangular, de tom castanho, e não leva ovos na receita — o que explica a sua textura compacta e a capacidade de se conservar durante semanas sem se estragar, mesmo fora do frigorífico, sendo uma autêntica “barra energética” ancestral de quem por ali passava.
Onde comer e onde dormir
Quem quiser prolongar a estadia pode ficar na Casa da Comunidade de Mafómedes, instalada naquela que foi a antiga escola primária da aldeia: tem três quartos com ar condicionado, duas casas de banho, sala com lareira, cozinha equipada e um terraço com churrasqueira.
Para reconfortar o estômago, o destino é conhecido: a Tasca do Valado, no centro de Mafómedes. O sucesso do espaço mereceu, no final do último verão, destaque numa reportagem do Expresso, garantindo a sua recomendação como restaurante regional pelo Guia Boa Cama Boa Mesa 2025.
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