Quando falamos de lugares especiais, não faltam refúgios naturais para relaxar perto do Porto. Contudo, o mais difícil é juntar beleza e raridade num só lugar. Mas complicado não é o mesmo que impossível. Por isso, prepara-te para descobrir um destino que tem tanto de espetacular, como de surpreendente.
A cerca de uma 1 hora de carro do Porto, há um fenómeno raro a uma escala global que promete deixar qualquer visitante boquiaberto: as pedras que ‘dão à luz’ outras pedras. E não se trata de uma mentira de 1 de abril, mas o constatar da existência de um tesouro geológico aqui relativamente perto.
Onde visitar as Pedras Parideiras?

As Pedras Parideiras, como são vulgarmente conhecidas, só podem ser visitadas na aldeia da Castanheira, em pleno Arouca Geopark — classificado como geoparque mundial da UNESCO desde 2009. Envolvidas pelo cenário estonteante da Serra da Freita, este fenómeno merece a tua (e a nossa) atenção.
Como uma pedra ‘dá à luz’?
Do ponto de vista científico, estamos perante o “granito nodular da Castanheira”, uma rocha que cobre uma área aproximada de 1km² e apresenta minerais essenciais como quartzo, ortoclase, albite e moscovite.
Com a ação das amplitudes térmicas e da erosão (o gelo no inverno e o calor no verão), os pequenos nódulos escuros de mineral libertam-se da ‘rocha mãe’ e acumulam-se no solo, deixando para trás uma cavidade perfeita.
Quando olhamos para a rocha, a ilusão é perfeita: parece que estamos perante verdadeiras Pedras Parideiras. Um fenómeno descrito pela primeira vez no século XVIII, no “Dicionário Geográfico” pelo Padre Luiz Cardoso.
Porém, a sua origem é bem mais antiga. Segundo informações do site oficial do Arouca Geopark, “as datações mais recentes apontam para idades entre 320 e 310 milhões de anos”.
A lenda da fertilidade

A peculiaridade do fenómeno motivou o surgimento de algumas lendas populares, que consideram as Pedras Parideiras como um símbolo de fertilidade e geração de vida.
Conta-se que as mulheres que queriam engravidar tiravam pequenas pedras da ‘rocha mãe’, colocando-as debaixo da almofada, acreditando que isso as ajudaria a procriar.
Lenda ou não, há algo que deves ter em atenção: hoje em dia, é estritamente proibido retirar as Pedras Parideiras do sítio e tentar levá-las para casa. De facto, ao longo dos tempos muitos visitantes faziam isso, ao ponto de atualmente a quantidade para contemplar ser inferior.
O que não podes perder?

Para entenderes melhor este fenómeno (e a sua importância mundial), é ‘obrigatório’ visitar a Casa das Pedras Parideiras – Centro de Interpretação. Aberto, desde 2012, este espaço visa contribuir para a conservação, compreensão e valorização deste tesouro geológico.
Aqui, podes não só observar as pedras ao vivo e a cores nas mostras exteriores, como mergulhar na ciência com o filme em 3D “Pedras Parideiras: um tesouro geológico”.
Como chegar a partir do Porto?

Esquece os transportes públicos, mas acredita que vale a pena o que vais gastar de combustível. Afinal, na Serra da Freita há muito mais para contemplar para além das Pedras Parideiras, como a Cascata da Frecha da Mizarela e outros tesouros naturais.
De carro, a viagem demora cerca de 1 hora. O caminho mais rápido costuma ser apanhar a A32 em direção a Vale de Cambra/Arouca e depois seguir pelas estradas nacionais e municipais rumo à Serra da Freita. Na parte final da viagem, a paisagem de montanha é simplesmente deslumbrante.
💡Dica do Porto Secreto: aproveita o passeio até à Serra da Freita e explora outros recantos do Arouca Geopark, incluindo incríveis praias fluviais.
Informações úteis
📍 Onde: Rua de Santo António, aldeia da Castanheira (4540-012, Albergaria da Serra)
🕛 Horário (confirmar junto da Casa das Pedras Parideiras): aberto todos os dias, das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h00.
ℹ️Mais Informações: pedrasparideiras@geopark.pt | 📞 256 484 093
⚠️Recomendação: contactar a Casa das Pedras Parideiras antes da visita, para verificar horários e disponibilidade
Se estavas à procura do pretexto perfeito para uma roadtrip de fim de semana pela natureza da Serra da Freita, acabaste de o encontrar!
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