O edifício do Mercado do Bolhão começou a ser construído em 1914 e chegou a passar anos escorado por andaimes. Reabilitado por cerca de 26 milhões de euros, reabriu em setembro de 2022 e, em quatro anos, já soma cerca de 23,8 milhões de visitas, segundo o próprio mercado. Pelo caminho, as suas bancas tornaram-se disputadas: este verão, uma de peixe foi atribuída em hasta pública por 7550 euros por mês, quando partia de 343,80 euros, noticiou o Observador.
De 1838 a monumento de interesse público
A história do Bolhão começa em 1838. O edifício atual foi construído entre 1914 e 1917, com projeto do arquiteto António Correia da Silva, indica o site oficial do mercado. Desde 2013 está classificado como monumento de interesse público.
Dos andaimes à reabertura

O Jornal de Negócios fala em quatro tentativas de recuperação em 34 anos. Entre elas, um projeto de Joaquim Massena, de 1998, abandonado pouco depois de adjudicado, e um contrato de 2008 para entregar o mercado a privados.
A obra que avançou foi anunciada a 22 de abril de 2015, no primeiro mandato de Rui Moreira, e consignada a 15 de maio de 2018.
Previa-se que durasse dois anos, mas prolongou-se. O projeto de reabilitação é do atelier de Nuno Valentim.
Durante mais de quatro anos, os comerciantes venderam num mercado temporário. O Bolhão reabriu às 8h de 15 de setembro de 2022, com cerca de 80 bancas, 38 lojas e 10 restaurantes.
O Bolhão hoje
23,8 milhões de visitas em quatro anos
Em setembro, o mercado contava cerca de 23,8 milhões de visitas desde a reabertura, mais de 3,9 milhões só em 2026, e tinha 126 dos 129 espaços atribuídos, segundo o Bolhão. A festa do quarto aniversário juntou mais de 59 mil pessoas em dois dias.
Há visitas guiadas às quartas, sextas e sábados, e, desde maio, uma app gratuita com mais de 300 produtos e a localização de cada banca.
Uma banca de 7550 euros e um concurso em tribunal
Na hasta pública de 14 de julho, a Go Porto, empresa municipal que gere o mercado, atribuiu cinco bancas por 22 910 euros mensais no total, noticiou o Observador. Além da de peixe, uma banca de fruta chegou aos 6100 euros, partindo de 277,20 euros. As licenças são válidas por 20 anos.
No final de julho, a Associação do Comércio Tradicional Bolha de Água levou o concurso a tribunal, por entender que as regras abrem a porta a mais restaurantes, à custa das bancas de frescos. A Go Porto garante que o concurso cumpre o regulamento.
Em agosto, o tribunal admitiu a providência cautelar. Enquanto o caso decorre, a atribuição dos espaços e os contratos ficam suspensos, explicou o DN. Para o presidente da Câmara, Pedro Duarte, trata-se de um procedimento normal, que não significa que a associação tenha razão.
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