A cerca de 100 quilómetros do Porto, a pouco mais de uma hora de carro do Porto, há uma floresta que acaba de conquistar um título que só mais três espaços no mundo inteiro têm: a Mata Nacional do Bussaco é, desde este verão, a primeira Floresta Terapêutica certificada da Península Ibérica e uma das quatro certificadas a nível mundial. Reunimos aqui tudo o que precisas de saber para lhe fazer uma visita — o que é isto de uma “floresta terapêutica”, a história por trás do lugar, o que ver e onde ficar.
O que é, afinal, uma floresta terapêutica?
Ao contrário de um parque ou de um trilho comum, uma Floresta Terapêutica é um espaço avaliado segundo critérios muito específicos, ligados ao seu potencial para apoiar programas de saúde e bem-estar.
Para conseguir o carimbo, a floresta tem de reunir uma série de condições: estruturas naturais que ajudem a amortecer o ruído e a proteger do vento, ar com qualidade comprovada, trilhos com diferentes níveis de dificuldade e zonas pensadas para o relaxamento. Este tipo de práticas estão fortemente associadas a benefícios como a redução do stress, da ansiedade e da pressão arterial, além de melhorias no sono e nas capacidades cognitivas. A certificação foi atribuída pela Healing Forest – International Certification Office.

Vale a pena um esclarecimento: a certificação não transforma a floresta num tratamento médico, mas reconhece o seu potencial para apoiar programas de saúde, sempre com acompanhamento qualificado.
Quatro séculos de história, uma batalha incluída
Tudo começou em 1628, quando a Ordem dos Carmelitas Descalços recebeu este território para nele construir um “Deserto” — um espaço isolado, dedicado à oração e ao silêncio, protegido inclusive por decreto papal. A partir de 1656, os monges começaram a plantar espécies vindas de fora, entre elas o famoso cedro-do-Bussaco, que é, na realidade, um cipreste de origem mexicana.
Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, em 1834, os Carmelitas deixaram o Bussaco, que passou para administração do Estado. Ao longo da segunda metade do século XIX, a mata ganhou novos jardins, lagos e fontes — entre eles o Jardim Novo e o Vale dos Fetos.
O Palácio do Bussaco
Foi também nesse período, em 1888, que o rei D. Carlos I encomendou a construção de um pavilhão de caça no coração da mata. As dificuldades financeiras da monarquia impediram que este chegasse a servir de residência real, e o edifício foi mais tarde convertido no que hoje é o Palace Hotel do Bussaco, um dos hotéis mais fotografados do país, com fachadas que parecem saídas de um conto de fadas. Mesmo quem não fica hospedado pode admirá-lo por fora e passear pelo Jardim Novo à sua volta. Hoje, toda a Mata Nacional do Bussaco está classificada como Monumento Nacional.

Com cerca de 105 hectares e mais de 250 espécies de árvores e arbustos — uma das melhores coleções dendrológicas da Europa —, a mata tem ainda uma zona conhecida como Floresta Relíquia, na parte mais alta e rochosa da serra, que escapou à introdução de espécies exóticas e preserva características de floresta primitiva. Entre outros pontos de interesse estão o Convento de Santa Cruz, o Museu Militar do Bussaco (dedicado à batalha de 1810), a Via Sacra, a escadaria da Fonte Fria e o Miradouro da Cruz Alta, a 550 metros de altitude.
Onde comer e dormir além do palácio
Se o Palace Hotel do Bussaco não estiver disponível, ou se preferires uma experiência diferente, o Grande Hotel do Luso, na vila vizinha, é uma alternativa. O hotel esteve entre os parceiros da candidatura à certificação de Floresta Terapêutica, além de estar próximo das termas e das águas do Luso.
Para a refeição, a região é conhecida pelo leitão assado à Bairrada, servido nos restaurantes da Mealhada, e pelo vinho que é produzido há décadas nesta zona: o vinho do Bussaco.
Como chegar a partir do Porto
A Mata do Bussaco fica na vila do Luso, concelho da Mealhada, a cerca de 100 km do Porto, uma viagem de cerca de 1h10 de carro pela A1, com saída na Mealhada. De comboio, é preciso apanhar um comboio até Coimbra-B e, posteriormente, fazer transbordo até à estação de Luso-Bussaco, já que não há ligação direta a partir do Porto.
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