Já sabíamos que o Parque das Serras do Porto escondia minas de ouro escavadas em tempo dos romanos. O que talvez não soubesses é que há um trilho que percorre essas mesmas ruínas mineiras, e que termina com uma recompensa: um miradouro de 360º sobre o vale, com o Douro lá ao fundo.
Um trilho com quatro minas pelo caminho
Chama-se Trilho das Minas de Antimónio e Ouro (PR4-GDM), é um percurso circular com cerca de 9 km e duração aproximada de 3h30, de dificuldade média a difícil. O trajeto circunda a Serra das Flores, no concelho de Gondomar, e passa sequencialmente por quatro minas já desativadas: a Mina da Tapada, a Mina do Ribeiro da Serra e Fontinha, a Mina do Alto de Sobrido e a Mina do Corgo.
Ouro desde os romanos, antimónio até ao século XX
A exploração mineira nesta zona, hoje conhecida como Distrito Mineiro do Baixo-Douro, começou de forma intensa ainda em época romana, à procura de ouro. Séculos mais tarde, entre 1880 e 1890, viveu a sua época áurea — desta vez para extração de antimónio —, transformando o concelho de Gondomar numa referência nacional e a região num dos principais centros de produção de antimónio da Europa.
A Mina da Tapada, uma das paragens do trilho, chegou a ter trabalhos subterrâneos distribuídos por 14 pisos, até 270 metros de profundidade — a maior profundidade atingida entre todas as minas de antimónio da zona. O ano de maior produção, 1886, registou mais de 1.500 toneladas de antimónio extraídas só nesta mina.
A recompensa: um miradouro a 360º
Depois de visitar as ruínas mineiras — arcos, chaminés e galerias que ainda resistem entre a vegetação —, o trilho sobe até ao Alto de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, onde se encontra uma capela inacabada, hoje em ruínas. É também o ponto mais alto do percurso, com vista panorâmica a 360º: para leste e para oeste, e a sul, o rio Douro, que se avista por entre a vegetação. Pelo caminho, o trilho passa ainda pelo marco geodésico de Medas.
Vale a pena confirmar o estado atual do trilho antes de partir. Independentemente disso, a sinalização do parque recomenda ainda que os caminhantes se mantenham sempre nos trilhos marcados, devido à existência de antigas cavidades mineiras — poços e respiradouros — por vezes escondidos pela vegetação.
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