Há um povoado com quase dois mil anos escondido no topo de uma colina perto do Porto — e, apesar de já ter conquistado a imprensa internacional, continua a ser um completo desconhecido para a maioria dos portugueses. O Castro de Monte Mozinho, em Penafiel, foi recentemente descrito pela publicação espanhola Viajar (do grupo El Periódico) como “um tesouro escondido” e a “Cidade Morta de Portugal”, enquanto a National Geographic España o incluiu entre “um dos maiores castros romanos da Península Ibérica” — chegando mesmo a comparar a textura das suas ruínas, entre urzes, a “uma pequena Machu Picchu transportada para a Europa”.
Uma cidade que ficou por explicar
Foi em 1919 que o académico Francisco Soares de Lacerda Machado subiu pela primeira vez a esta colina, a mais de 400 metros de altitude, e batizou o local de “Cidade Morta” — nome que ainda hoje persiste.
Segundo a “RTP Ensina”, as primeiras escavações nestas ruínas terão acontecido nos anos 40 do século passado, mas sofreram algumas interrupções, tendo os trabalhos sido retomados na década de 1970, aos quais se acrescentam ainda intervenções mais recentes. Desde 1948, o Castro está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Dois povos, uma só colina
Ocupando cerca de 20 a 22 hectares — o equivalente a diversos campos de futebol —, o povoado foi fundado entre o final do século I a.C. e o início do século I d.C., durante a integração do noroeste peninsular no mundo romano. O que o torna particular é a mistura de tradições visível na arquitetura: casas de pátio circular, típicas da cultura castreja galaica que já ali existia, ao lado de construções quadrangulares tipicamente romanas — prova de uma convivência entre os dois povos que durou vários séculos.
Torres, guerreiros de pedra e uma acrópole vazia
O sistema defensivo do castro incluía várias linhas de muralhas. Na entrada da muralha superior, dois torreões flanqueavam o acesso. Foi precisamente aí que os arqueólogos encontraram duas estátuas de guerreiros galaicos, hoje expostas no Museu Municipal de Penafiel.
No ponto mais alto da colina fica a acrópole, delimitada por um muro espesso e sem construções no interior — um espaço que terá servido para jogos, assembleias e mercado. Do topo, a vista estende-se até à Serra do Marão, a leste, e à Serra de Montemuro, a sul, com o vale do rio Cavalum a marcar o caminho natural até ao Douro.
Como visitar
Para quem quiser perceber melhor o que está a ver, o Centro Interpretativo do Castro de Monte Mozinho, inaugurado em 2004, tem maquetas e peças que complementam a visita à área arqueológica. O Castro integra ainda a Rede de Castros do Noroeste Peninsular e a Rota dos Castros e Verracos, um itinerário que atravessa a fronteira entre Portugal e Espanha. Visitas guiadas para grupos podem ser marcadas através do Museu Municipal de Penafiel.
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